Bolseiros contestam<br>política para a ciência
O Orçamento do Estado para 2015 «aprofunda ainda mais a situação de estrangulamento financeiro em que se encontram as instituições de ciência e Ensino Superior», considera a Associação dos Bolseiros de Investigação Científica (ABIC). Em comunicado aos órgãos de comunicação social, divulgado faz hoje uma semana, a ABIC manifestou-se profundamente preocupada e defendeu que a continuidade das restrições no financiamento colocam em causa a política de ciência em Portugal, bem como os postos de trabalho e os centros de investigação que dela dependem.
A estrutura representativa dos bolseiros que trabalham em Portugal considera, igualmente, que o processo de avaliação dos centros de investigação que está a ser implementado «irá contribuir para a redução brutal do financiamento de muitas instituições nacionais», e revela que este é um processo «que está totalmente desprestigiado e que uniu de forma consensual a comunidade científica nas críticas que lhe foram feitas».
Na mesma nota à imprensa, a ABIC também rejeita a proposta de reestruturação da carreira de investigação, avançada pela Associação Nacional de Investigadores de Ciência e Tecnologia. Nesse sentido, junta a sua voz às diversas opiniões de reserva que têm sido emitidas ao longo do processo, e esclarece que sempre afirmou a necessidade de «dignificação do emprego científico e pelo fim do uso das bolsas de investigação para suprir necessidades do Sistema Científico Nacional», daí que seja contra a «criação de uma carreira de investigação onde a instabilidade durará 20 anos, a avaliação será feita por critérios desconhecidos e pouco claros e se procederá a uma redução líquida da remuneração actual».